A INFLUENCIA DA CULTURA AFRO - DESCEDENTE NOS CULTOS PROTESTANTES

 

 José Rômulo  ( 1º adaptação)
Adaptação: Ronaldo Andrade ( 2º Adaptação Bel em Teologia)

 

RESUMO

Depois de conhecer a cultura afro, o cristianismo da América não foi mais o mesmo. Nos cultos protestantes é forte a presença e influência negra nos ritmos musicais dos cultos, alegres e agitados. Outro aspecto que surgiu no culto das tradições afro-brasileiras é o movimento liderado pelos cristãos de transformar os orixás e guias em demônios que “possuem” o corpo das pessoas.

O exorcismo, assim, ganhou força e já se constitui num importante ingrediente da religiosidade do povo brasileiro, tanto entre os católicos carismáticos como entre os evangélicos pentecostais e neo-pentecostais.

Amado ou odiado o culto afro é o centro das atenções para as religiões do Brasil.
Questões: Quem é o negro? Como chegou ao Brasil?  De que forma o negro expressava sua religiosidade?  Como se percebe a presença da cultura africana no cotidiano da sociedade brasileira?  O que é sincretismo religioso? O que a religiosidade afro-brasileira tem a ver com isso?

Que contribuições o culto afro trouxe para o cristianismo. São questões que abordaremos neste artigo de forma a esclarecer que de fato houve uma influencia muito acentuada sim dos afro-decendentes na religião protestante.
          
PALAVRAS-CHAVES:  Protestantismo brasileiro; liturgia; religião; cultura negra.

 

1  INTRODUÇÃO

Podemos notar  que no Brasil a colonização se deu de uma forma bem simples Portugal explora e coloniza com isso a religião católica assume o papel de ser a religião oficial da nova terra conquistada, e traz consigo uma definição do sagrado.
Durante  cerca de quatro séculos de  imigração africana para o Brasil é de prever uma interação cultural que como veremos influenciaria  a nova colônia e toda a sua forma religiosa, seja católica e posteriormente a protestante.

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1 José Rômulo, mestrando em Ciências da Família.
2 Ronaldo Andrade, Professor Ensino Fundamental, Bacharel  em Teologia, Professor de Missiologia, no Instituto Gamaliel de Filosofia e Teologia, Serra – ES.
 

 

2  A IMIGRAÇÃO AFRICANA

Cerca de 4 a 5 milhões de negros foram trazidos ao Brasil durante o trafico negreiro, em Salvador e sua região foi o lugar onde se recebeu mais escravos dos quatro cantos da África, isso contribuiu para a organização e concentração de maior numero de organização  do culto Afro no Brasil, principalmente o candomblé, de origem bambu reúne crenças, tradições e elementos litúrgicos presentes em muitas dessas culturas africanas, recriando-as e  realaborando-as apartir de situações de enfrentamento e resistência.

Para se manter viva suas tradições e fé, típico da cultura negra de resistir e de enfrentar as adversidades estava o Brasil como terreno bem fértil ao sincretismo religioso primeiro com o catolicismo e depois  identificando-se com o protestantismo que viria em seguida. Tudo isso traria ao cenário religioso brasileiro que alias estava começando uma nova forma cultural de se cultuar as mais diversas divindades africanas seja na miscigenação católica ou na forma de expressão dos cultos protestantes.

 

3 O PROTESTANTISMO  CHEGA AO BRASIL

No bojo dessas culturas e da formação do povo brasileiro também se faz implantar uma colônia protestante no Brasil, em 1555. Uma tentativa de  aventureiros hugenotes fugitivos da França. O primeiro culto protestante foi celebrado em 10 de março de 1557, por  pastores franceses, mas é com os holandeses (1630–1654) chega-se a estabelecer uma comunidade protestante organizada no Brasil.

 Capelães da Igreja Reformada Holandesa vieram com soldados e marinheiros, e pastores vieram com os colonos. Durante o governo holandês uma denominação protestante se instalou no Brasil, trazendo para essas terras tropicais sua cultura, sua forma de celebrar e perceber o mundo. Com a invasão dos holandeses chegou à igreja reformada.

 “Ela não nasceu da semeadura da pregação, mas foi transplantada como uma muda”. Partindo desta variedade de culturas e das muitas influências religiosas recebidas pelo povo brasileiro, este artigo tem o pretenso objetivo de refletir sobre o culto protestante brasileiro e a influência por ele recebida da cultura negra.

 Até que ponto a religiosidade dos afro-descendentes influenciou a forma de celebrar dos protestantes estabelecidos no Brasil? Como o protestantismo histórico e o pentecostalismo relacionaram-se com a cultura africana?

 

 4 A CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Os negros foram trazidos ao Brasil poucas décadas depois do descobrimento para trabalharem como escravos entre 1600 e 1900. Com eles o país cresceu mundialmente na extração de minérios e como produtor de café e cana de açúcar. Com a Lei Áurea, publicada em 1888, a escravidão acabou, mas os descendentes africanos não tinham como voltar ao seu país de origem.

 Por causa do preconceito, também não compravam terras, nem conseguiam empregos. Foi a partir de 1920, na periferia das grandes cidades, que os brasileiros conheceram melhor a religiosidade que os negros praticavam quando eram escravos. Entre elas estão a Umbanda, Candomblé e Quimbanda.

O Candomblé é o mais original culto africano no Brasil. As cerimônias acontecem em terreiros e em língua africana com cantos e ritmos de tambores. Usam jogos de adivinhação como cartas e búzios. Principalmente por conta da perseguição, houve o sincretismo do Candomblé com o catolicismo no qual se colocavam nomes africanos em santos católicos como Iemanjá (N. S. da Conceição) e Iansã (Santa Bárbara). O principal deus é Olodumaré, criador dos orixás.

Já a Umbanda é praticada em Centros Espíritas e é conhecido como Magia Branca, o que significa fazer o bem e combater a magia negra. É uma mistura de rituais africanos e europeus feita por brancos no Rio de Janeiro. Acreditam na possibilidade de contato entre vivos e mortos e na evolução espiritual após sucessivas vidas na terra, quer dizer, a reencarnação.

Algum tempo depois nasceu a Quimbanda, que pratica rituais de magia negra, e é uma ramificação da Umbanda. Magia negra significa missa negra ou magia e feitiçaria. É conhecida por realizar oferendas com animais como gatos e galinhas pretas. Cultua os mesmos orixás da Umbanda e Candomblé.

 

5 A INFLUENCIA DO PROTESTANTISMO PELA CULTURA AFRO

Há 20 anos, em algumas igrejas protestantes do Brasil, não era permitido o uso de palmas, nem a presença de instrumentos musicais profanos, tais como bateria, atabaque, agogô etc. Os estilos musicais eram americanos ou europeus, muito raro uma canção com musicalidade brasileira. Samba, nem pensar. Algumas coisas começaram a mudar.

Hoje já se encontra uma variedade de instrumentos, de ritmos e estilos musicais. Há comunidades que se especializaram em criar novas canções para “animar” as celebrações. O que mudou a igreja protestante histórica, o pentecostalismo ou o povo brasileiro está mais globalizado?

Hoje há mais negros nas comunidades pentecostais graças ao fato de suas manifestações litúrgicas possibilitarem uma maior identificação com suas origens. Origem de uma raça sofrida, marginalizada, alegre, que não se prende a dogmas. Mas um preço foi pago para que nas comunidade, pentecostais, esta parcela da população se encontrasse A abdicação de uma herança cultural religião, música, dança etc.

Teologicamente, seria o protestantismo histórico o espaço para se viver um cristianismo sem abandono de sua herança cultural. Mas o que no Brasil chegou não foi capaz de construir comunidades verdadeiramente brasileiras, onde a mistura de raças e variedade de se conceber o sagrado construiriam um cristianismo original, com a racionalidade européia, a mística e a alegria africana, a sabedoria indígena, a paciência dos orientais, a garra dos latinos.

Hoje podemos ver uma influencia muito acentuada na forma de cantar, dançar, tocar certos instrumentos usados nos cultos afros como atabaque, tambor e toda a  alegria características dos cultos afros invadiram a liturgia protestante de forma a encontrar nela uma expressão mais acentuada do sincretismo católico, porém agora com a valorização da criatura transformada e liberta não de uma escravidão social mas da escravidão moral, que os torna dignos de serem candidatos ao reino dos céus.

Os afros descendentes se identificaram muito com a pregação alegre e descontraída, diferente do catolicismo romano que com sua liturgia dogmática não atraia os mesmos, mas os distanciava, todo sincretismo católico foi só para se manter durante a escravatura brasileira.

Agora com a libertação e a expansão demográfica afro pelos pais a fora e a esperança de liberdade é avivada pela mensagem protestante que de mostra a mesma liberdade pregada pelos profetas do Antigo Testamento acerca de Israel distante e escravo, mas com a esperança de retorno a pátria mãe.

Com isso a interação foi total e as classes menos favorecidas da população no inicio do século XX, foi acolhida pelo protestantismo que  passa a sofrer grande influencia dos descendentes afro culminando na religião que mais cresce nos pais.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AMORESE, Rubem Martins. Celebração do evangelho – compreendendo culto e
liturgia. 2ª. edição. Viçosa: Ultimato, 1995.

BARROS, José Flávio Pess VALLA, Victor Vincent (Org.). Religião e cultura popular. Rio de Janeiro: DP&A,
2001.

IGREJA PRESBITERIANA INDEPENDENTE DO BRASIL. Ordenações Litúrgicas.
Disponível em: <http://www,ipib.org/donwloads. Acesso em: 20 de dezembro de 2003.

Pr. Ronaldo Andrade Pinheiro