TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA, RESUMO SOBRE PAUL TILLICH

 

PENSAMENTO

        O teólogo mais sistemático da teologia, onde seus pensamentos se baseiam em dois pontos, METODOLÓGICO E DE PENSAMENTO. O primeiro se baseia na correlação e o outro nos problemas do homem e nas respostas de Deus, pelo segundo tema entendesse dominar parte da teologia tradicional bem como da filosofia. Entendesse que estes problemas como sendo:

O ser das coisas
A própria existência da história
A resposta de Deus.

Para Tillich Deus é suficiente para responder a todas as questões do homem porem só pela fé isso é possível, porem isso só pode acontecer se o homem for instruído sabiamente a cerca da mensagem divina de maneira racional.

A correlação: Este princípio segundo Tillich se da através da reciprocidade e da subordinação a que estão sujeito todas as coisas como exemplo ele cita: o eu não pode existir sem o mundo e o mundo não pode existir sem o eu, a filosofia e a teologia da mesma forma assim como a duvida e a fé, a resposta e a pergunta.

Tillich não inventa a correlação, outros filósofos como Platão, Aristóteles e Aquino já se valiam dela, todavia em Tillich ela encontra o ápice da interpretação .

Em Tillich a correlação exerce o mesmo papel que o mundo das idéias de Platão.
O ato e a potência de Aristóteles.
Pelo ser e perfeição de tomas de Aquino.
A substância em Espinosa.
No juízo sintético a priori de Kante.

Tillich se sobressai, pois não se detém a nenhum pensador, mas sim os sobrepõem, pois afirma que a realidade é uma relação complicada  de entrelaçamento de correlações. Porem ele afirma que a uma correlação que se sobressai a todas, ou seja a relação vertical do homem com Deus, e baseado nessa correlação  que ele edifica todo seu pensamento teológico, e divide  a correlação vertical em  cinco partes.

Razão – revelação
Ser Deus
Vida Espírito
Homem Cristo
História do reino de Deus.

A correlação Epistemológica

Ela é analisada em três momentos.
Primeiro: Como relação entre Razão e revelação
Segundo: como relação entre razão e fé
Terceiro: Relação entre teologia e filosofia
Para Tillich a razão e era a força das coisas podendo ser razão objetiva e subjetiva como força do homem.
A razão subjetiva era a capacidade racional da mente do homem.


A razão objetiva era a estrutura racional da realidade do homem.


Para Tillich havia dois momentos no interior da razão subjetiva, o momento técnico, ou seja, aquele em que a razão chega a verdade pelo caminho da análise e experimentação e o participativo em que ele chega a verdade pôr meio da intuição e da emoção.  Segundo Tillich, o homem só pode se livrar da duvida porque Deus vem a o homem com a luz da revelação é nesse momento que acontece o milagre da manifestação onde este ser, homem conhece Deus através da fé e isto se da ontologicamente, ou seja, o homem tem uma necessidade nata de um ser superior infinito e perfeito que criou todas as coisas.

Para Tillich a razão é aberta revelação lhe é nato e satisfatória, todavia não é automático nem mecânico ma sim transcendentalmente pela fé, que aliás é comum a todos os homens e pode ser alcançada pelo empenho, ela é Dom de Deus nesse ponto o principio da correlação acontece pois  ela não é possível sem a participação do homem o mesmo  e necessário  sendo capaz de compreender um ato imediato e incondicional do supremo e infinito  isso faz da fé uma possibilidade humana ou seja predisposição ontológica, mas só não basta é necessário que o homem tenha predisposições psicológicas pois Deus não obriga o ser humano a Ter fé a qualquer custo sem que o mesmo esteja  preparado.

Predisposição Psicologica

 Fundamenta-se que o homem tem que experimentar a inutilidade de seu ser e incapacidade do mesmo de dar um significado a vida e a sua essência é preciso que ele tenha consciência do estado pecaminoso em que esta tendo esta visão de nos podemos encontrar em Cristo a solução para uma nova realidade a nossa ALIENAÇÃO acerca de onde viemos e para onde vamos, quem tem   viva consciência do seu próprio estado de alienação tem a alma aberta para a voz da REVELAÇÃO e está disposto a recebê-la. E está livre da auto-suficiência de soberba, ou seja, está livre do inimigo numero um da fé.

Uma vez que a fé é a resposta de Deus as questões existenciais do homem enquanto esta questão não é colocada Deus não responde o que significa que a resposta de Deus é causada pela pergunta humana a pergunta é uma condição e não cauda da resposta a resposta e gratuita porem só a obterá quem a procurou ela é a revelação de Deus ao homem.

Para Tillich a revelação concedida pôr Deus a todos os homens de fé é objeto da reflexão teológica sendo dois os elementos constitutivos da teologia A MENSAGEM REVELADA E A REFLEXÃO FILOSÓFICA, ou seja, os termos THEOS E LOGOS resultam em teologia o primeiro Theos indica o que se ocupa o teólogo, OU SEJA, COMO Deus se revelou e o segundo logos a capacidade de reflexão usando a razão para entender e penetrar nos mistérios da revelação divina.

Para Tillich a teologia é constituída de um terceiro elemento o KAIROS, ou seja, o momento principio que na verdade  é preciso o teólogo saber escolher o momento justo para interpretar a mensagem cristã a sua época, a teologia move-se contentemente entre estes dois pólos  a verdade eterna e o fundamento temporal em que a verdade eterna deve ser concebida ( Cultura ) é necessário entender o momento em que o homem vive pôr exemplo o  homem moderno do século XX esta empermeado pelo existencialismo esta angustiado, alienado e desesperado segundo Tillich  não podemos condená-los como fez Karl Barth mas sim entendê-lo a teologia deve ser equilibrada entre o juízo divino e o sim da graça a  teologia deve ir ao encontro da necessidade humana não para condená-la ou negá-la mas ajuda-lhe a compreender teológica e filosoficamente o sentido da correlação perscrutando o Kerigma ou seja a mensagem da revelação de Deus ao homem,  sendo três os grandes problemas  que afligem os filósofos e o homem de todos os tempos o SER A EXISTÊNCIA  E A HISTÓRIA em sua teologia Tillich dá as seguintes resposta ao homem Deus como fundamento do ser, Cristo como novo ser a Igreja como sendo o Reino de Deus.

 

A Correlação Ser –Deus

A questão mais grave que vem afligindo os filósofos de cada época e a questão do ser. Trata-se de uma questão inevitável. Filósofos como os neopositivistas e os teólogos, como os neo - ortodoxos tentaram eludi-la inutilmente. Paul Tillich demonstra que ninguém pode subtrair-se a instancia ontológica. Aos neopositivistas observa que “estudando a relação entre conhecimento e realidade, eles são obrigados a fazer afirmações ontológicas da máxima importância”. Aos neoortodoxos, os quais afirmam que o ser e um conceito imaginado pelo homem, que não encontra nenhuma correlação na Revelação. Ora, a palavra racional e encontrada em qualquer teologia, mesmo na dos antimetafisicos”. Tillich sabe muito bem que os filósofos não estão de acordo nesse ponto; o que se entende pôr ser? O seu e um ser em que esta presente um movimento  dialético, que opera desde o seu interior, como “unidade de potências criadoras e destrutivas”, provenientes do mais profundo do ser, como uma sua qualidade, um seu principio negativo: “ O ser consta de si mesmo e do não ser. Ele afirma-se criativamente a si mesmo através da eterna conquista do eu não ser”.

Mas de que modo o ser pode sustentar uma luta eterna com o não ser sem ser aniquilado? Só a teologia responde a essa interrogação; a luz da Revelação, ela nos assegura de que o ser pode resistir às agressões do não ser porque se baseia em Deus: Deus e o fundamento do ser, o qual e pôr ele criado e conservado.

Com o conceito “fundamento do ser”, apto a mediar um discurso sobre Deus com os nossos contemporâneos, Tillich não quer significar um ser supremo, uma causa primeira que esteja fora do mundo, m as sim o principio vital subjacente a toda realidade. Deus não e estranho, não esta fora do ser, mas forma o seu mais intimo e profundo fundamento. Tillich refuta categoricamente a concepção sobrenaturalista, que coloca Deus fora do mundo. Em conseqüência, critica todas as tentativas do passado no sentido de provar a existência de Deus, pois procederiam dessa concepção. No entanto, ao mesmo tempo, rejeita também a concepção naturalista, que confunde Deus com as coisas, Deus com a natureza, Deus com o ser. Os nomes que se aplicam às criaturas não são própria e literalmente aplicáveis a Deus, mas apenas simbolicamente. Como se vê, Tillich exclui decididamente o método da analogia, que, ao contrario, afirma que alguns nomes são aplicáveis própria e literalmente tanto a Deus como as criaturas.

 

A Correlação Homem Cristo

Tillich, fiel ao cânon do principio da correlação, depois de construir a teologia como resposta ao problema do ser elabora a cristolologia como resposta ao problema do homem, o homem e uma dualidade, mas não aquela dualidade psicofísica de que os filósofos e psicólogos estão habituados a falar, isto e, a composição de alma e corpo, que não e a mais importante e fundamental para compreender a condição humana. Para Tillich a dualidade mais profunda e a dualidade entre essência e existência. A existência e o decaimento da essência. Para Tillich, esse decaimento consiste no Pecado Original, a Queda de que fala a Sagrada Escritura. A Queda consiste essencialmente no desligamento das coisas do fundamento do Ser e na constituição de sua finitude; pôr essa razão, “a passagem da essência a existência” e uma passagem a qual nenhum ente finito pode se furtar.

A conseqüência primeira da alienação ontológica ocorrida na Queda e a alienação “teológica”, ou seja, a ruptura do circuito vital que deveria unir o homem a Deus. Só com suas próprias forças, o homem não pode sair desse estado e pôr isso não pode retornar ao estado inicial: não pode sair da existência e recuperar a sua natureza essencial. Essa possibilidade só lhe e oferecida pôr Cristo.

Para Tillich, Jesus e aquele homem em que as forças desagregadoras da existência, a soberba, a angustia, a libido e o desespero, foram vencidas. E foi pôr essa vitória que ele se tornou o Cristo. Tal manifestação de Deus em Cristo tem um poder salvífico universal: Cristo salva, regenera, justifica e santifica todos os homens. O cristianismo e a mensagem da Nova Criação, do Novo Ser, da Nova Realidade, que apareceu com o aparecimento de Jesus, que pôr essa razão e chamado o Cristo, o Messias, o Eleito, o Ungido e aquele que traz o novo estado de coisas.

 

A Correlação Historia Reino de Deus

Tillich prefere chamar ora “Comunidade Espiritual”, ora “Reino de Deus”, já os teólogos chamam habitualmente de “eclesiologia”; estudo da Igreja, em relação com a historia, ou seja, como resposta aos problemas que atormentam a sociedade no seu caminho através dos séculos e que a sociedade e incapaz de resolver somente com suas forças. Tillich distingue um tipo de interpretação histórica e um tipo de interpretação a histórica. No primeiro, pode-se incluir a concepção grega da historia com sua sucessão circular, perenemente recorrente. No segundo, ressalta-se a concepção moderna, em que “a historia transformou-se numa serie de acontecimentos do universo físico, interessando ao homem, difíceis de ser recordados e estudados, mas privados de uma contribuição especial para a interpretação da existência como tal”.

A historia só adquiriu um vulto e um significado através da Revelação, através do símbolo do Reino de Deus. Para Tillich, esse símbolo e a formula resumida das respostas a ambigüidade da historia e aquela que, dentre as interpretações históricas, oferece uma solução mais adequada.  Com efeito, o Reino de Deus é histórico pôr um lado e sobre historico pôr outro; enquanto histórico, participa da dinâmica da historia; enquanto sobre historico, responde as suas ambigüidades. A Comunidade Espiritual e, portanto, ao Reino de Deus não pertencem somente os cristãos, mas os homens de qualquer época, lugar, nação, raça e língua, desde que “sejam aferrados pela Presença Espiritual e sejam claramente determinados pôr ela, ainda que fragmentariamente”. E vice-versa, pode-se falar de uma efetivação concreta do Reino de Deus na historia toda vez que se torna possível uma reunificação, ainda que fragmentaria, de seres humanos, prevenindo-se a violência. “Na medida em que os elementos centralizadores e os libertadores se equilibram numa estrutura de poder político, o Reino de Deus na historia conquista fragmentariamente as ambigüidades da repressão”. 

 

Pr. Ronaldo Andrade Pinheiro